Fiz algumas modificações e um extensa pesquisa para fazer esse capítulo. Por favor, comentem... Estou aberto a críticas, sugestões e elogios.
Capítulo 1 - A Fundação
Há incontáveis eras,
um grupo de anciões, vitoriosos de batalhas anteriores, decidiram criar
uma nova existência, pois se esgotaram as possibilidades e o mundo se
tornou previsivelmente insuportável e tedioso. Além disso, em sua
sabedoria acreditavam que, como antes, seria necessária uma renovação,
bem como o desapego, aos resquícios e memórias do passado. A estes
senhores, de nomes impronunciáveis com nossas gargantas primitivas,
chamaremos de Arcontes da Alma, os famigerados Pais Arquetípicos,
conhecidos na mitologia judaica como Elohim. Dentre estes senhores havia
um que se destacava, por seu amor e justiça, sendo a expressão exata do
Elevado, aquele que conheceu a primeira criação de todas as criações.
Valente guerreiro e pai amoroso. O Verbo e Senhor dos 24 Arcontes.
Sentados, em seus tronos, conversavam e planejavam os eventos que
seriam vividos na nova origem. O lugar onde estavam era de beleza única
e com uma atmosfera de poder e glória jamais imaginada por mortais,
como eu e você. Um lugar que assusta e atemoriza qualquer criatura,
impondo respeito aos seres das alturas, ou dos mais baixos abismos.
Todavia existia um lugar de maior significado e peso, um lugar
inviolável, o santíssimo lugar, a morada do Eterno. Apenas o Pai e Filho do
Verbo poderia adentrar neste ambiente e o fazia somente em ocasiões
únicas, em importância e necessidade. Ali residia o Misterium Tremendum
que nenhuma criatura ou Elohi poderia conhecer e compreender em sua
plenitude, apenas o Elevado e seu unigênito comungavam daquele lugar.
Uma casa, uma casa de carne, pois diziam que era o cordis ou o útero da
criação.
Um enigma foi proposto, por um dos arcontes para
servir como busca e sentido à nova existência, entretanto por mais que
se esforçassem não conseguiam encaixar as peças, neste quebra cabeça
cósmico, para dar sentido real, sabor e abundância de vida aos novos
entes.
O Verbo teve que intervir, pois todos haviam percebido
que fazia se propício ao Unigênito entrar na câmara santíssima e ali,
diante da Presença Eterna conversar com o Inefável, em busca de algo
que pudesse trazer abundância de vida aos neófitos.
Então, os
enviados serventes da recâmara do rei receberam ordens para preparar e
purificar o átrio do templo célico, e assim o fizeram. Estes servos, os
homens chamam de anjos, mas nada mais são que seres enviados para uma
missão especial. Um destes, Gadreel, que em hebraico pode ser escrito
como עזאזל, também conhecido como Azazel, é a origem de muito conflito e debate. Certamente seu real
título, princípio e incepção estão envoltos em mentiras e sombras.
Nenhum mortal, e até mesmo seres imortais, podem afirmar com certeza
sobre algo que teve o embuste como razão de ser, embora nada passa
despercebido e impune pelo Eterno.
Enquanto realizava os
preparos para consagração dos átrios e vestíbulos reais sua atenção foi
desperta por uma pedra vermelha, um seixo de jaspe carmesim usado nas
vestes sacerdotais pelo Verbo. Quero deixar claro que muito do que
acontece aqui não poderia ser descrito com linguagem e palavras humanas
se respeitada sua exatidão. O certo é que o que foi me passado e
permitido lhe exponho da melhor forma que minhas mãos escrevem e minha
mente concebe, por isso faço uso alegórico, dos eventos agora relatados,
pois sem os quais jamais poderia escrever. Por isso, creia no conteúdo e
não na forma, como conselho, prezado amigo, haja sempre assim, na vida,
geralmente o contorno é enganoso embora a essência liberte. Se não
fizeres isto, de um jeito ou de outro, aprenderás que as palavras nada
dizem, todavia o que fazemos com elas sim.
Então, possuído de
cobiça, apeteceu possuí-la, pois conhecia o propósito e sabia que
facultaria habilidade de abrir portais e poder sobre as trevas,
corrupção e mal, se usada sem consentimento e vontade do Verbo, pois em
seu coração deixou entrar a dúvida sobre a bondade divina. Sem muito
pensar, tomou-a para si, colocando outra de sardio, semelhante em forma,
em seu lugar. Leitor cabe aqui lembrar, que o ocorrido, apesar de não
aprazer a Aquele que É, foi planificado por Ele antes de todas as
Eternidades, nas eras ocultas em Deus e no Cordeiro (O primevo Aeion,
Kairos do Ego e do Ser) e quando terminar tu verá que falo a verdade.
Neste momento, um Mal Antigo foi desperto, transformando interior deste
anjo, que agora chamaremos de Inferno, pois como narrado antes, se mal
usado o Jaspe Carmesim, que simboliza o sangue do Cordeiro, porque quem o
toma e usa, o faz para sua própria condenação, se não empregar o
discernimento por meio Daquele que é o alimento da alma. Uma porta foi
aberta e o Inferno a habita e é habitado por ele, o Filho da Perdição.
Que fique claro que o erro deste grigori não foi possuir a pedra, mas
ser ladrão de algo que é livre a todo aquele que pedir ao Pneuma. O erro
é a escravidão do espírito, pelo ego, que não se é refreado pelo Verbo.
Neste momento, o horror primevo, entrou no corrompido anjo guardião dos
aposentos reais.
Uma terrível tristeza abateu sobre o Verbo.
Podia-se ver claramente no semblante do Cordeiro que algo muito sério o
afligia. Porém, Ele sabia que era vontade do Eterno e conhecia muito
bem os desígnios do coração de Deus.
Tudo foi preparado para o
momento. E o Cristo entrou no santuário onde até os anjos temem ir. Ele
vestia a indumentária sacerdotal completa. A Estola Sacerdotal ou Éfode
uma peça parecida um avental, confeccionada nas cores azul, púrpura,
carmesim e o branco de linho fino retorcido. Sobre o Éfode um peitoral
com as doze pedras, que representam os fundamentos que sustentam toda
criação. Na cintura partindo do umbigo uma espécie de cordão de prata
ligava as vestes ao cubo, o cubo de Metraton, uma máquina que permitia a
entrada no santíssimo lugar e assim entrar em contado direto com o
Arché, a substancia primordial, constituinte de toda matéria do
universo. Na verdade Arché é um número que quando em execução conjunta
com o cubo de Metraton possibilita a entrada no console fundamental que
fornece uma interface para a criação da realidade.
Uma vez
conectado a máquina a realidade percebida pelo sumo sacerdote é mudada e
este pode entrar no módulo de construção, uma espécie de programa de
computador que funciona como um ambiente integrado que facilita a
criação de realidades extraídas da lógica do número (ou programa) que
inspira a vida.
Permita-me amigo explicar-lhe melhor o que é o
Arché, também conhecido como unidade divina. Ele não é apenas um número
qualquer, mas o padrão da perfeição, uma seqüência harmoniosa que
encerra dentro de si todas as criações possíveis. Embora bastante
próximo de Deus o Arché não é Deus. Podemos dizer que Deus é pleno
quando o Verbo, a Lógica e a Materialidade trabalham em prol do sentido
existencial, o tempero da vida, o Amor. O ator do Verbo é o Cordeiro, o
ator da Lógica é o Arché e a Matéria é fruto da máquina de Metratron.
Embora não percebamos todas as vezes, os três são e estão em Um e são
vistos em plenitude no homem, mais corretamente no Filho do Homem e
neste, sempre trabalham em Amor, afinal Deus é Amor!
Após
todos os preparativos realizados então o Verbo adentra o santíssimo
lugar. Imediatamente sua fisionomia se transforma. O módulo arquiteto
estava carregado e o link foi estabelecido. Todo poder criativo de Deus
estava ao dispor do Verbo, assim como, uma via de largura de fluxo
inesgotável fornecia a comunicação direta entre Pai e Filho. Amigo, você
deve estar perguntando por que essa conexão se fez necessária, visto
que Pai e Filho são um, posso citar vários motivos, mas dois se
destacam. O primeiro é que nem sempre o Filho quer e precisa de todo
poder criativo divino, há momentos que isso não se faz necessário nem
desejável, lembre que o Filho nunca usou poder desnecessariamente. Ele
nunca precisou de pirotecnia para mostrar sua identidade, poder e
glória. O segundo é que Ele, sempre quis se comportar como humano, deixe
me explicar com um exemplo. Um alpinista poderia escalar uma montanha
com um equipamento que facilitasse ao extremo a conquista do cume da
montanha, podendo se quisesse subir até lá de helicóptero. No entanto
que graça teria isso? E lembre-se a chave da vida está na graça. E o
Verbo vivo deseja que a criação se pareça com a história arquetípica
dando forma, beleza e sabor em abundância. A limitação tornam as coisas
mais interessantes. Embora haja sacrifícios e sofrimento, ao final,
quando o montanhista tem a magnifica visão do fruto de seu esforço ele
diz, valeu a pena!
Há uma terceira razão, também importante,
mas em momento propício, querido neófito, lhe revelarei. Por agora basta
dizer que nem todos tem fé a ponto de mover montanhas e nem só o Verbo pode usar a máquina de Metratron, mas só ele pode ir ao Aleph Santíssimo e compreender o mistério e causa da Vida.
Como
de igual maneira, em todas as criações, a primeira criação é a luz,
então em um grito catártico, Fiat Lux, e a luz foi feita. A partir deste
ponto não preciso entrar em detalhes, pois você conhece o desenrolar
dessa história. Quero apenas focar em um ocorrido, e farei isso nos
parágrafos seguintes.