domingo, 3 de fevereiro de 2013

Algo mais fundamental por baixo de tudo



Estava eu conversando com um amigo sobre um tema muito comum em Ciência da Computação, "A Abstração". A abstração consiste numa simplificação da realidade objetivando obter um modelo relevante para a aplicação. Há vários níveis de abstração do pensamento e todos eles podem ser expostos através de um meio ou mídia. Um jeito de fazer isso é através da linguagem outro é através dos algoritmos computacionais ou não computacionais. Indo um pouco além, é correto afirmar que o mundo que nos é apresentado é uma abstração. Com isso, não quero ir ao extremo e dizer que este monitor a sua frente não existe, afirmo que de fato ele existe e é o que é. Entretanto como ele é apresentado, filtrado e compreendido por seu cérebro é abstrato, ou seja, ele não está inteiro em sua cabeça, mas apenas a parte que lhe é relevante. Você simplesmente ignora boa parte de seu funcionamento, pois isto não lhe é importante. O mesmo acontece quando sonhamos... Quando sonhamos com nossa namorada, amigos ou familiares essas pessoas não estão realmente lá e nem são elas mesmas, elas são você. Afinal não é possível sonhar em dupla, pelo menos ainda não. A realidade é mais fundamental. Como uma pintura quando olhada de muito perto parece apenas manchas, mas se olhada a distancia as cores e sombras formam signos interpretados pelo cérebro como objetos. E é assim que penso na realidade. Nós humanos só vemos parte da obra do Criador, pois estamos muito perto, mas há algo além um nível de abstração superior que controla toda a existência. Comentem...



E a ciência já confirma isso, veja:

 



Dica de Jogo: "Caminho Estreito"


É com grande empolgação que lhes indico esta obra prima querido leitor. Caminho Estreito é um jogo de computador gratuito que pode ser baixado AQUI. Ele se assemelha ao conto O Peregrino que narra a viagem do cristão da cidade da destruição para a Jerusalém Celestial escrito pelo pastor John Bunyan e publicado na Inglaterra em 1678. O livro é uma alegoria da vida cristã e pode ser encontrado AQUI. Do mesmo jeito o jogo narra a história do personagem "Desesperado" em busca da salvação. Assista logo abaixo uma análise desta obra eletrônica:


Agora estou seriamente inclinado a também transformar meu livro em um jogo usando o mesmo game maker deste aqui.

Dica: Faça cópias deste jogo e distribua livremente a todas as crianças que vo gostaria de levar à Palavra. 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A ETERNA CRUZ



A Cruz da História é somente a da Crucificação. A Cruz é o que vem antes de tudo, inclusive da Crucificação. O Cordeiro de Deus foi imolado antes da criação de qualquer criação. Por essa mesma razão Aquele que tem o poder de “abrir o Livro e lhe desatar os selos” é o Leão de Judá, a Raiz de Davi, mas quando essas faces são procuradas por João —que antes chorava muito em desesperança (Ap 5:4-5)—, quem ele vê é um Cordeiro “como havia sido morto”. Nós cristãos pensamos que nossa salvação veio do sofrimento de Jesus por nós! Sofrimento não salva, apenas amargura e mata! Nossa salvação não vem da Crucificação, mas da Cruz! A Crucificação é um cenário! A Cruz é o sacrifício eterno que teve na Crucificação apenas o seu cenário histórico! Quando Paulo diz que só se gloriava na Cruz, ele não nos aponta um espetáculo histórico, o qual ele nunca nem perdeu tempo em “descrever” como evento martirizante e agonizante. Para ele a Cruz era “o mistério outrora oculto e agora revelado” — com todas as implicações da Graça em nosso favor. A Crucificação estava exposta às interpretações dos sentidos humanos: “Este era verdadeiramente Filho de Deus” — confessava o centurião, perplexo com o modo como Jesus morrera. Também reagia assustado diante do fato que a terra tremia enquanto a escuridade envolvia subitamente a tarde daquele dia. A Cruz, todavia, é infinitamente maior que a Crucificação. O Sangue que purifica de todo pecado não um líquido; é uma oferta de amor perdoador que existiu como tal ainda antes que qualquer forma de sangue tivesse sido criada. A Cruz é uma eterna decisão de Deus com Deus. O Sangue Eterno é a Decisão da Graça! Na história, o sangue foi derramado para manifestar aquilo que em Deus já estava feito! Jesus Consumou o que nEle já estava Consumado desde a eternidade! Na Páscoa, portanto, celebra-se o cordeiro simbólico que aparece desde o Gênesis. Ganha rito instituído no Êxodo, é praticado durante séculos e tem sua Realização Histórica na Crucificação. A Cruz, no entanto, é o Fator Criador por trás de toda criação: o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo! Nessa consciência o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. Por isso é que eu posso caminhar sem medo. Não procurarei aquilo que faz sofrer e que é pecado. Mas também não vivo mais as fobias e neuroses do pecado. É a certeza da Graça eterna aquilo que nos dá paz para viver na terra. Sem o êxodo da Crucificação apenas como cenário para a Cruz como bem eterno que garante paz com Deus e vida na terra, ninguém tem paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. A Crucificação é o Cenário exterior! A Cruz tem que ser a Realidade interior! A Crucificação revela a maldade humana! A Cruz revela a salvação de Deus! Quem crê é Justificado e tem paz com Deus. Além disso, já passou da morte para a vida! Caio

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Éden em nós

Quando Paulo diz em II Coríntios que receava que “assim como a serpente enganou a Eva”, do mesmo modo fossem “as nossas mentes corrompidas”, afastando-nos da pureza e simplicidade devidas a Cristo — ele fazia isto se relacionar à seqüência do texto, que mostra os “falsos apóstolos, ministros de justiça (disfarçados) e anjos de luz (travestidos); todos figuras representativas da serpente que enganou a Eva e seu marido; e que, agora, em seu disfarce apostolar, afastavam o povo da simplicidade e pureza do Evangelho; fosse com sua crença legalista e anti-graça (judaizantes); fosse mediante as perversões de evangelhos gnósticos, do Cristo esotérico, as quais eles tentavam “vender” para o povo. Entretanto, ao dizer “Receio de vós que assim como a serpente enganou a Eva, assim também sejam corrompidas as vossas mentes” — o apóstolo abria uma nova dimensão para o Éden. Sim, o Éden da Mesopotâmia, geográfico, dava agora lugar ao Éden não lugarizado, e que existe e re-existe sempre outra vez no coração humano; posto que a arquitetura da alma humana é sempre um Éden. Sim, um Éden no útero da mãe, de onde somos expulsos. Um Éden na infância, da qual somos expulsos. Um Éden na adolescência, de onde somos forçados a sair. Um Éden na juventude, de onde se tem que sair para virar adulto e arar a terra. Um Éden histórico, do qual sairemos não mais como expulsos, mas como elevados à Glória pela Graça de Cristo. Ora, de um lado, todos estão fora do Éden; pois “pecamos à semelhança do pecado de Adão” — segundo Paulo, escrevendo aos Romanos. Por isto se diz que “todos pecaram” e que todos “igualmente carecem da Glória de Deus”. Assim, a humanidade nasce fora do Éden; pois, ‘em’ Adão e ‘como’ Adão — fomos tanto nele como também em nós mesmos, expulsos do Éden! Todavia, a constituição da alma é sempre um Éden Psicológico. Sim, porque na alma, todos nós, temos Adão (animus), temos Eva (anima), temos a Árvore da Vida (a vocação para o eterno), temos a Árvore do Conhecimento do Bem de Mal (nossa vontade de independência de Deus), temos todas as arvores do Jardim (a liberdade ampla de boas escolhas de vida; sem proibições), temos a Voz de Deus, e também os sons sibilantes da serpente oportunista, e que faz seu “bolo de serpente” pronta para “o bote”, justamente nos galhos da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Esta é a constituição arquetípica de nosso aparelho psíquico. Ora, nesse sentido, o Éden é um lugar em nós; e do qual nos sentimos exilados pela culpa e pela transgressão essencial que nos faz já nascermos dando curiosos ouvidos às sibilações da serpente; a qual trabalha contra alma sempre com a proposta de um saber que nos faça prescindir, supostamente, de Deus. Assim, a serpente invisível, e que existe como ente espiritual, ganha seu poder quando a serpente do aparelho psíquico repete para nós, conforme nossas pulsões interiores, as mesmas propostas feitas pela serpente do Éden Mesopotâmico. Desse modo, mesmo expulso do Éden, carregamo-lo como realidade psíquica e arquetípica em nós mesmos! Ora, assim como um Querubim foi posto no caminho para a Árvore da Vida, no Éden da Bíblia; assim também há um Querubim, no Éden da alma, e que nos impede o acesso autônomo à vida sem Deus; ou seja: à tentativa de viver eternamente sem Deus! Daí vem todo o sentimento de idas e vindas que sentimos em nós mesmos; ora sentindo-nos no Éden; ora exilados dele — tudo isto sendo reeditado pelas experiências de culpa. Paulo diz que os Coríntios estavam vivendo na Graça a experiência de uma Eva não seduzida; existindo num Éden pacificado pelo amor e pelo perdão de Deus. Entretanto, ele avisa que como os mesmos elementos do Éden existem em nós, continua sempre a possibilidade de que as “serpentes” de fora (no caso deles os falsos apóstolos), pudessem encontrar o seu recíproco narcisista em nós; e, assim, sermos enganados; e, mais uma vez, expulsos do Éden da simplicidade e pureza devidas a Cristo. É por tal razão que muitos cristãos confessam o tempo todo que são de Cristo, mas, apesar disto, vivem em estado de permanente angustia. Sim, a angustia dos exilados; e eles nem mesmo sabem a razão. Digo isto porque somente a simplicidade e a pureza do Evangelho, vivido pela fé no Filho de Deus, é o que nos veste para que a existência no Éden interior não seja feita da culpa que se esconde por de trás das árvores do Jardim, mas da paz dos reconciliados e vestidos pelo Sangue do Cordeiro. Entretanto, quem não reconhece que o cenário do Éden o habita, esse é sempre enganado, pensando que a serpente de fora é quem nos manipula, sem nos darmos conta que é a serpente que habita a constitutividade de nosso ser, o elemento psíquico que mais nos seduz à autonomia; ou a qualquer que seja o “outro evangelho”. Assim, arquetípica e simbolicamente, a Árvore da Vida é o Evangelho; as outras árvores do Jardim são toda nossa liberdade; a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal é nossa intrínseca vontade de ascender por conta própria; a serpente é a pulsão desse desejo; a anima é a via pela qual o desejo de transcendência se torna objeto de perversão; animus é a legitimação do ato psíquico da anima; e o Querubim é o impedimento divino que nos mantém sem a eternidade autônoma; pois, do contrário, seriamos fixados num estado de irredimibilidade. Paulo, portanto, nos assegura que somente a pureza e a simplicidade do Evangelho de Cristo é o que pode nos fazer vencer as seduções externas e internas das serpentes! Pense nisto! Nele, Caio

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Theocracy - New Jerusalem (legendado)


Mais que vencedores



Deus deseja que sejamos um com Ele, mas Ele respeita nossa essência. Já o dragão devora-nos de forma que não somos um, mas acaba por amalgamar de forma indelével sua essência em nosso imo suplantando-a pela a dele. Sobrando somente ele. Sua fome é insaciável. E seu apetite irrefreável. E suas vítimas acabam por sucumbir, sem perceber a mordida do vampiro das almas.

Então por que Deus criou o dragão? Veja que o dragão é mal, pois assim foi criado, ele foi homicida, promotor da morte desde o princípio, e com justiça será tratado no final. Nós eleitos, desde a fundação do mundo, somos vitoriosos de eternidade em eternidade. Somos mais que vencedores. Porém o dragão e sua semente serão derrotados de criação em criação. Como o vilão que em sua desgraça merecida abrilhanta a vitória do herói. A derrota do dragão é motivo de festa daqueles que viveram pelo Verbo. Isso está em nossos corações, implantado em nosso inconsciente. É  a história arquetípica escrita na primeva incepção. Na criação anterior o dragão foi vencido pela força... Nesta, porém, o nosso inimigo está em nós. Se a luta será terrível, a vitória será imensa. A vitória, no entanto, revelará sim de modo esplendoroso que o santuário santíssimo tem lugar em nosso mais íntimo, em nosso EU SOU. Seremos e já somos co-participantes da natureza de Deus. O Misterium Tremendum, o galardão final, daqueles que são fiéis ao Verbo, será revelado e conheceremos como também somos conhecidos. E Deus fará tudo novo de novo!

Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. No entanto, a presença do mal permite o agir do bem. O Cristo teve a oportunidade de demonstrar seu amor, que em graça se transformou vertendo seu precioso sangue. E derrotada foi à morte e seu aguilhão e veneno será por fim destruído. Em alegria seremos transformados e o que hoje são sombras e névoas no porvir serão claras como a luzes da aurora no esplendor do amanhecer.

O Eterno trabalha com ciclos. Como disse o sábio “Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.”. Observe as estações do ano, os meses, as semanas e até mesmo os dias. Eles se repetem, mas sempre de forma diferente. A novidade não está exatamente naquilo que se vê, mas em como se vê. Há tempo de destruição, de renovo, de trabalho, de descanso e neste fluir as eternidades passam.  Ainda que em momentos de dor, mais perto chegamos do criador. Feliz aquele que achar mérito no autor das almas e para quem Ele disser, “Servo bom e fiel entra no teu descanso”. Nem todos adentrarão no descanso, pois com juras Ele disse “Não entrarão no meu descanso, embora fossem completadas as obras desde a fundação do mundo.” Pois em certo lugar disse assim acerca do dia sétimo: “E descansou Deus no dia sétimo de todas as suas obras”. Pois aquele que entrou no descanso Dele, esse também descansou das suas obras, assim como Deus das suas. Lute por sua salvação, amigo, para que  te aches no Espírito Eterno no dia em que Ele vir nas nuvens revelar as obras de suas mãos. O tempo é breve e já estamos no início do sétimo dia. Um dia para Ele são mil anos. Nosso tempo não é o Dele! E o homem é senhor do sétimo dia e reinará no milênio com o Cordeiro. Reino de justiça e paz.

Fundamentação e inspiração Bíblica

Mateus 13
24 Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeou boa semente no seu campo;
25 mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e retirou-se.
26 Quando, porém, a erva cresceu e começou a espigar, então apareceu também o joio.
27 Chegaram, pois, os servos do proprietário, e disseram-lhe: Senhor, não semeaste no teu campo boa semente? Donde, pois, vem o joio?
28 Respondeu-lhes: Algum inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo?
29 Ele, porém, disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis com ele também o trigo.
30 Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro.
36 Então Jesus, deixando as multidões, entrou em casa. E chegaram-se a ele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo.
37 E ele, respondendo, disse: O que semeia a boa semente é o Filho do homem;
38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;
39 o inimigo que o semeou é o Diabo; a ceifa é o fim do mundo, e os celeiros são os anjos.
40 Pois assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo.
41 Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles ajuntarão do seu reino todos os que servem de tropeço, e os que praticam a iniquidade,
42 e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.
43 Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Mais do meu livro

Fiz algumas modificações e um extensa pesquisa para fazer esse capítulo. Por favor, comentem... Estou aberto a críticas, sugestões e elogios.

Capítulo 1 - A Fundação   

   

    Há incontáveis eras, um grupo de anciões, vitoriosos de batalhas anteriores, decidiram criar uma nova existência, pois se esgotaram as possibilidades e o mundo se tornou previsivelmente insuportável e tedioso. Além disso, em sua sabedoria acreditavam que, como antes, seria necessária uma renovação, bem como o desapego, aos resquícios e memórias do passado. A estes senhores, de nomes impronunciáveis com nossas gargantas primitivas, chamaremos de Arcontes da Alma, os famigerados Pais Arquetípicos, conhecidos na mitologia judaica como Elohim. Dentre estes senhores havia um que se destacava, por seu amor e justiça, sendo a expressão exata do Elevado, aquele que conheceu a primeira criação de todas as criações. Valente guerreiro e pai amoroso. O Verbo e Senhor dos 24 Arcontes.

        Sentados, em seus tronos, conversavam e planejavam os eventos que seriam vividos na nova origem. O lugar onde estavam era de beleza única e com uma atmosfera de poder e glória jamais imaginada por mortais, como eu e você. Um lugar que assusta e atemoriza qualquer criatura, impondo respeito aos seres das alturas, ou dos mais baixos abismos. Todavia existia um lugar de maior significado e peso, um lugar inviolável, o santíssimo lugar, a morada do Eterno. Apenas o Pai e Filho do Verbo poderia adentrar neste ambiente e o fazia somente em ocasiões únicas, em importância e necessidade. Ali residia o Misterium Tremendum que nenhuma criatura ou Elohi poderia conhecer e compreender em sua plenitude, apenas o Elevado e seu unigênito comungavam daquele lugar. Uma casa, uma casa de carne, pois diziam que era o cordis ou o útero da criação.

        Um enigma foi proposto, por um dos arcontes para servir como busca e sentido à nova existência, entretanto por mais que se esforçassem não conseguiam encaixar as peças, neste quebra cabeça cósmico, para dar sentido real, sabor e abundância de vida aos novos entes.

    O Verbo teve que intervir, pois todos haviam percebido que fazia se propício ao Unigênito entrar na câmara santíssima e ali, diante da Presença Eterna  conversar com o Inefável, em busca de algo que pudesse trazer abundância de vida aos neófitos.

    Então, os enviados serventes da recâmara do rei receberam ordens para preparar e purificar o átrio do templo célico, e assim o fizeram. Estes servos, os homens chamam de anjos, mas nada mais são que seres enviados para uma missão especial. Um destes, Gadreel, que em hebraico pode ser escrito como עזאזל, também conhecido como Azazel, é a origem de muito conflito e debate. Certamente seu real título, princípio e incepção estão envoltos em mentiras e sombras. Nenhum mortal, e até mesmo seres imortais,  podem afirmar com certeza sobre algo que teve o embuste como razão de ser, embora nada passa despercebido e impune pelo Eterno.

    Enquanto realizava os preparos para consagração dos átrios e vestíbulos reais sua atenção foi desperta por uma pedra vermelha, um seixo de jaspe carmesim usado nas vestes sacerdotais pelo Verbo. Quero deixar claro que muito do que acontece aqui não poderia ser descrito com linguagem e palavras humanas se respeitada sua exatidão. O certo é que o que foi me passado e permitido lhe exponho da melhor forma que minhas mãos escrevem e minha mente concebe, por isso faço uso alegórico, dos eventos agora relatados, pois sem os quais jamais poderia escrever. Por isso, creia no conteúdo e não na forma, como conselho, prezado amigo, haja sempre assim, na vida, geralmente o contorno é enganoso embora a essência liberte. Se não fizeres isto, de um jeito ou de outro, aprenderás que as palavras nada dizem, todavia o que fazemos com elas sim.

    Então, possuído de cobiça, apeteceu possuí-la, pois conhecia o propósito e sabia que facultaria habilidade de abrir portais e poder sobre as trevas, corrupção e mal, se usada sem consentimento e vontade do Verbo, pois em seu coração deixou entrar a dúvida sobre a bondade divina. Sem muito pensar, tomou-a para si, colocando outra de sardio, semelhante em forma, em seu lugar. Leitor cabe aqui lembrar, que o ocorrido, apesar de não aprazer a Aquele que É, foi planificado por Ele antes de todas as Eternidades, nas eras ocultas em Deus e no Cordeiro (O primevo Aeion, Kairos do Ego e do Ser) e quando terminar tu verá que falo a verdade.

    Neste momento, um Mal Antigo foi desperto, transformando interior deste anjo, que agora chamaremos de Inferno, pois como narrado antes, se mal usado o Jaspe Carmesim, que simboliza o sangue do Cordeiro, porque quem o toma e usa, o faz para sua própria condenação, se não empregar o discernimento por meio Daquele que é o alimento da alma. Uma porta foi aberta e o Inferno a habita e é habitado por ele, o Filho da Perdição.

    Que fique claro que o erro deste grigori não foi possuir a pedra, mas ser ladrão de algo que é livre a todo aquele que pedir ao Pneuma. O erro é a escravidão do espírito, pelo ego, que não se é refreado pelo Verbo. Neste momento, o horror primevo, entrou no corrompido anjo guardião dos aposentos reais.

    Uma terrível tristeza abateu sobre o Verbo. Podia-se ver claramente no semblante do Cordeiro que algo muito sério o afligia. Porém, Ele sabia que era vontade do Eterno e conhecia muito bem os desígnios do coração de Deus.

    Tudo foi preparado para o momento. E o Cristo entrou no santuário onde até os anjos temem ir. Ele vestia a indumentária sacerdotal completa. A Estola Sacerdotal ou Éfode uma peça parecida um avental, confeccionada nas cores azul, púrpura, carmesim e o branco de linho fino retorcido. Sobre o Éfode um peitoral com as doze pedras, que representam os fundamentos que sustentam toda criação. Na cintura partindo do umbigo uma espécie de cordão de prata ligava as vestes ao cubo, o cubo de Metraton, uma máquina que permitia a entrada no santíssimo lugar e assim entrar em contado direto com o Arché, a substancia primordial, constituinte de toda matéria do universo. Na verdade Arché é um número que quando em execução conjunta com o cubo de Metraton possibilita a entrada no console fundamental que fornece uma interface para a criação da realidade.

    Uma vez conectado a máquina a realidade percebida pelo sumo sacerdote é mudada e este pode entrar no módulo de construção, uma espécie de programa de computador que funciona como um ambiente integrado que facilita a criação de realidades extraídas da lógica do número (ou programa) que inspira a vida.

    Permita-me amigo explicar-lhe melhor o que é o Arché, também conhecido como unidade divina. Ele não é apenas um número qualquer, mas o padrão da perfeição, uma seqüência harmoniosa que encerra dentro de si todas as criações possíveis. Embora bastante próximo de Deus o Arché não é Deus. Podemos dizer que Deus é pleno quando o Verbo, a Lógica e a Materialidade trabalham em prol do sentido existencial, o tempero da vida, o Amor. O ator do Verbo é o Cordeiro, o ator da Lógica é o Arché e a Matéria é fruto da máquina de Metratron. Embora não percebamos todas as vezes, os três são e estão em Um e são vistos em plenitude no homem, mais corretamente no Filho do Homem e neste, sempre trabalham em Amor, afinal Deus é Amor!

    Após todos os preparativos realizados então o Verbo adentra o santíssimo lugar. Imediatamente sua fisionomia se transforma. O módulo arquiteto estava carregado e o link foi estabelecido. Todo poder criativo de Deus estava ao dispor do Verbo, assim como, uma via de largura de fluxo inesgotável fornecia a comunicação direta entre Pai e Filho. Amigo, você deve estar perguntando por que essa conexão se fez necessária, visto que Pai e Filho são um, posso citar vários motivos, mas dois se destacam. O primeiro é que nem sempre o Filho quer e precisa de todo poder criativo divino, há momentos que isso não se faz necessário nem desejável, lembre que o Filho nunca usou poder desnecessariamente. Ele nunca precisou de pirotecnia para mostrar sua identidade, poder e glória. O segundo é que Ele, sempre quis se comportar como humano, deixe me explicar com um exemplo. Um alpinista poderia escalar uma montanha com um equipamento que facilitasse ao extremo a conquista do cume da montanha, podendo se quisesse subir até lá de helicóptero. No entanto que graça teria isso? E lembre-se a chave da vida está na graça. E o Verbo vivo deseja que a criação se pareça com a história arquetípica dando forma, beleza e sabor em abundância. A limitação tornam as coisas mais interessantes. Embora haja sacrifícios e sofrimento, ao final, quando o montanhista tem a magnifica visão do fruto de seu esforço ele diz, valeu a pena!

    Há uma terceira razão, também importante, mas em momento propício, querido neófito, lhe revelarei. Por agora basta dizer que nem todos tem fé a ponto de mover montanhas e nem só o Verbo pode usar a máquina de Metratron, mas só ele pode ir ao Aleph Santíssimo e compreender o mistério e causa da Vida.

    Como de igual maneira, em todas as criações, a primeira criação é a luz, então em um grito catártico, Fiat Lux, e a luz foi feita. A partir deste ponto não preciso entrar em detalhes, pois você conhece o desenrolar dessa história. Quero apenas focar em um ocorrido, e farei isso nos parágrafos seguintes.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A origem dos perpétuos

Escrevi este conto já faz algum tempo, baseie-me nas obras de Neil Richard Gaiman e em um sonho que tive. O conto não tem a pretensão de expor nenhuma verdade oculta do universo, apenas é uma obra simples com um toque poético a qual compartilho com vocês. Perceba que ela possui um toque da história arquetípica que estudamos, mas com a ingenuidade de uma criança em seu frescor pueril.

sábado, 1 de setembro de 2012

Meu Livro

Pessoal estou escrevendo meu primeiro livro, estou muito feliz, pois dessa vez acho que concluo. O nome dele será (talvez mude) "Alfa e Ômega". Vou deixar para vocês um trechinho do primeiro capítulo (A Fundação) ... Ainda está em material bruto e sem revisão, mas já dá para ter uma idéia. Por favor, comentem!

Capítulo 1 - A Fundação

    Há incontáveis eras, um grupo de anciões, vitoriosos de batalhas anteriores, decidiram criar uma nova existência, pois se esgotaram as possibilidades e o mundo se tornou previsivelmente insuportável e tedioso. Além disso, em sua sabedoria acreditavam que, como antes, seria necessária uma renovação, bem como o desapego, aos resquícios e memórias do passado. A estes senhores, de nomes impronunciáveis com nossas gargantas primitivas, chamaremos de Arcontes da Alma, os famigerados Pais Arquetípicos, conhecidos na mitologia judaica como Elohim. Dentre estes senhores havia um que se destacava, por seu amor e justiça, sendo a expressão exata do Elevado, aquele que conheceu a primeira criação de todas as criações. Valente guerreiro e pai amoroso. O Verbo e Senhor dos 24 Arcontes d'alma.
    Sentados, em seus tronos, conversavam e planejavam os eventos que seriam vividos na nova origem. O lugar onde estavam era de beleza única e com uma atmosfera de poder e glória jamais imaginada por mortais, como eu e você. Um lugar que assusta e atemoriza qualquer criatura, impondo respeito aos seres das alturas, ou dos mais baixos abismos. Todavia existia um lugar de maior significado e peso, um lugar inviolável, o santíssimo lugar, a morada do Eterno. Apenas o Verbo poderia adentrar neste ambiente e o fazia somente em ocasiões únicas, em importância e necessidade. Ali residia o Misterium Tremendum que nenhuma criatura ou Elohi poderia conhecer e compreender em sua plenitude, apenas o Elevado e seu unigênito comungavam daquele lugar. Uma casa, uma casa de carne, pois diziam que era o cordis ou o útero da criação. 

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