Houve um tempo em
que me afastei de Cristo. Não foi de uma vez, como um corte brusco, mas como
quem vai se distanciando aos poucos, quase sem perceber. Quando me dei conta,
já não era mais o mesmo. A fé que antes era viva havia se tornado algo
distante, quase uma lembrança. Algum tempo depois, passei em Medicina e fui
estudar em Cuiabá. Era uma nova fase, novas pessoas, novas possibilidades. E,
naquele contexto, tomei uma decisão que hoje vejo com clareza: eu queria viver
sem Deus. No dia em que terminei meu noivado, algo curioso aconteceu. Meu amigo
e vizinho de kitnet, Leopoldo, também havia acabado de encerrar um
relacionamento longo. Dois corações quebrados, dois caminhos abertos… e uma
decisão em comum. Combinamos que não seríamos mais “bobos”. Iríamos viver sem
freio, sem escrúpulos, sem pensar muito. Era a velha ideia: aproveitar tudo,
pegar quem quiséssemos, viver a vida na superfície, sem peso e sem
responsabilidade.