Há certas noites em que o mundo parece menos sólido.
Não porque suas paredes se tornem transparentes, nem porque os mortos resolvam passear entre os vivos, mas porque algumas perguntas, normalmente adormecidas, despertam antes de nós.
O último dia de outubro é uma dessas noites.
O Halloween, celebrado na véspera de Todos os Santos, carrega em seu próprio nome uma herança cristã que muitas vezes passa despercebida entre abóboras, máscaras e sepulturas cenográficas. É curioso que uma noite associada ao medo anteceda justamente uma celebração daqueles que, segundo a fé cristã, venceram a morte.
Talvez exista alguma ironia nisso.
Ou talvez a ironia seja nossa.





