sábado, 28 de março de 2026

Jesus vai te colocar no prumo

Houve um tempo em que me afastei de Cristo. Não foi de uma vez, como um corte brusco, mas como quem vai se distanciando aos poucos, quase sem perceber. Quando me dei conta, já não era mais o mesmo. A fé que antes era viva havia se tornado algo distante, quase uma lembrança. Algum tempo depois, passei em Medicina e fui estudar em Cuiabá. Era uma nova fase, novas pessoas, novas possibilidades. E, naquele contexto, tomei uma decisão que hoje vejo com clareza: eu queria viver sem Deus. No dia em que terminei meu noivado, algo curioso aconteceu. Meu amigo e vizinho de kitnet, Leopoldo, também havia acabado de encerrar um relacionamento longo. Dois corações quebrados, dois caminhos abertos… e uma decisão em comum. Combinamos que não seríamos mais “bobos”. Iríamos viver sem freio, sem escrúpulos, sem pensar muito. Era a velha ideia: aproveitar tudo, pegar quem quiséssemos, viver a vida na superfície, sem peso e sem responsabilidade.


Mas antes de começarmos essa nova “fase”, Leopoldo, que sabia do meu passado cristão, disse algo simples, quase despretensioso: “Por que você não ora antes? Só para ter certeza… se Deus realmente não existe.” Aquilo me pegou de surpresa. Era uma proposta quase irônica… mas, ao mesmo tempo, honesta. Então fomos orar. E, durante aquela oração, fomos tomados por algo que eu já havia experimentado antes: oramos em línguas. Até ali, para mim, nada extraordinário ... era algo que eu já conhecia. 

Mas então, algo completamente inesperado aconteceu. Veio ao meu coração, de forma clara e direta: “Abra a porta e veja lá fora.” Não foi um pensamento comum. Foi diferente. Preciso. Sem dúvida. Levantei-me e fui até a porta. Quando abri, havia uma senhora parada em frente ao portão das kitnets. Eu nunca a tinha visto antes. Não havia igreja por perto. Não havia qualquer contexto que explicasse a presença dela ali, muito menos naquele exato momento. Ela olhou para mim e disse que queria falar comigo. Abri o portão e a levei até dentro da kitnet. Então, sem rodeios, ela disse: “Eu vim aqui para lhe dizer que Deus existe.” O que aconteceu em seguida foi ainda mais impactante. 

Ela começou a orar. E, durante aquela oração, passou a falar coisas sobre mim ... detalhes do meu passado, pensamentos íntimos, situações que ninguém ali poderia saber. Não eram generalizações. Eram coisas específicas. E, além disso, falou sobre coisas que ainda aconteceriam… e que, com o tempo, de fato aconteceram. Antes de ir embora, ela disse algo que nunca esqueci: “Jesus vai te colocar no prumo.” Depois disso, ela foi embora. Eu nunca mais a vi. Naquele momento, toda a ideia de que Deus não existia simplesmente desmoronou. Não foi um argumento. 

Não foi uma discussão. Não foi uma emoção passageira. Foi um encontro. Aquilo não significou que nunca mais tive dúvidas. Não significou que nunca mais falhei. Não me transformou instantaneamente em alguém perfeito. Mas foi um divisor de águas. A partir dali, eu não podia mais fingir que Deus era apenas uma possibilidade distante. Eu sabia. E, às vezes, é isso que muda tudo: não quando todas as dúvidas acabam… mas quando você não consegue mais negar o que viu, o que ouviu e o que viveu. Jesus me colocou ... e ainda está me colocando ... no prumo.

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