O mundo que habitamos não
começou em Roma, nem em Manhattan. Começou num som antigo, abafado, como água
batendo por dentro das paredes do tempo. Começou no dilúvio e antes dele,
quando o Apocalipse já tinha passado pela terra uma vez, não como filme do fim,
mas como limpeza brutal, como pano encharcado passando no rosto da história. Os
gigantes e os homens de renome foram varridos. O mundo foi desligado e ligado
de novo. A luz voltou, mas voltou diferente, com um zumbido por trás. Desde
então vivemos na espiral.
