Há um erro moderno que empobreceu muito a compreensão humana da realidade: o de imaginar que a ciência nasce apenas da frieza, enquanto a fé nasceria apenas da carência. Como se a primeira fosse puro cálculo e a segunda, mera muleta. Como se o laboratório fosse o reino da objetividade e o espírito, apenas um quarto escuro onde a alma se recolhe para suportar a dor. Mas a história do pensamento humano não começou assim. O estudo do céu, dos astros, da matéria, dos números e das formas nasceu muitas vezes do espanto. Antes de haver carreira científica, já havia fascínio. Antes de haver protocolo, já havia assombro. O homem olhava para cima e não via apenas pontos brilhando. Via ordem. Via beleza. Via um chamado. E foi muitas vezes esse chamado, por vezes espiritual, por vezes místico, por vezes silenciosamente religioso, que o empurrou para dentro da investigação.
sábado, 7 de março de 2026
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
O Mundo que Habitamos
O mundo que habitamos não
começou em Roma, nem em Manhattan. Começou num som antigo, abafado, como água
batendo por dentro das paredes do tempo. Começou no dilúvio e antes dele,
quando o Apocalipse já tinha passado pela terra uma vez, não como filme do fim,
mas como limpeza brutal, como pano encharcado passando no rosto da história. Os
gigantes e os homens de renome foram varridos. O mundo foi desligado e ligado
de novo. A luz voltou, mas voltou diferente, com um zumbido por trás. Desde
então vivemos na espiral.
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