quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Uma Parábola no Jardim da Eternidade


 
Vou contar aqui uma pequena parábola onde Deus e o diabo discutiam sobre a humanidade no Jardim dos Começos. Antes de iniciar esta, algumas considerações importantes. O que é uma parábola? Segundo o dicionário Priberam a parábola é uma narração alegórica que envolve algum preceito de moral, alguma verdade importante. É como na matemática, onde estudamos a equação de segundo grau. Uma linha que tem um eixo de simetria onde cada lado reflete o outro de modo diferente. É algo tomado no lugar de outro. As vezes nossa linguagem e limitações nos impedem de compreender algo, é ai que usamos a parábola. Uma parábola não é uma verdade em si, mas carrega uma simetria, um eixo forte com a veracidade, nos leva e faz-nos conhecer A VERDADE. É importante dizer também que não tenho nenhuma pretensão de escrever aqui uma parábola que deveria estar na Bíblia, ou seja, se ela não for útil para você e nada de edificante lhe trouxer, esqueça-a, mas se valer a pena, o que acredito que vale, pois aqui escrevo não com tinta e pena, retenha fortemente essa história, mas com maior força a VERDADE por ela carregada. Enfim, vamos a ela...

“Depois do Eterno, ter criado o céu, os seres viventes celestiais e os anjos, antes também da corrupção antiga entrar na criação, anterior ao nosso mundo, fazendo um terço dos anjos se entregarem as trevas e caírem, Deus cria a nossa habitação no Jardim dos Começos. Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados, pouco antes de Deus, pôr-se a descansar ao fazer o homem.
Neste lugar e tempo, na eternidade inocente humana, enquanto nas entranhas da terra, lama e barro, em sua mão tecia, quando no oculto moldava, o vaso humano, presente presenteado e enchido pela criação e fôlego de vida, neste tempo, nos primórdios da humanidade, que fora entretecida nas profundezas da terra. Deus faz brotar do solo toda a árvore agradável à vista, e boa para comida. Cheio de satisfação, Deus põem-se a viajar novamente a sua morada celestial.
Enquanto ao longe via as portas do grande e verdadeiro templo, um miasma nojento e um cheiro doentio de morte, adentra em suas narinas, ao passar por aquele vale mortífero e corrupto que jamais poderia atravessar os portões eternos, por si mesmo, onde os anjos, anteriores de luz e beleza, mas que pelo orgulho e vaidade de seus corações arrogantes do céu caíram, se não fossem expulsos, no abismo o tornariam. E por isso de maneira nenhuma, poupou tais anjos que pecaram terrivelmente, ao tentar profanar a morada santa, mas os lançou no inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo que ainda não havia decidido.
Cansado, pela longa jornada, em seu trono põem-se pesaroso a descansar, ainda afligido pela escolha e caminho que seus mais belos seres anteriormente criados fizeram. Logo, despertando percebe, a sua presença, Satanás ardiloso como sempre, buscando tempo propício para o joio maligno da inimizade semear. Adonai diz a Satanás "De onde vens? " Satanás respondeu "De perambular pela terra e andar por ela".
Reparaste, diz o Eterno e Verdadeiro, que o melhor desta nova criação, fizemos à nossa imagem, conforme a nossa semelhança? De glória e honra os enchi e de toda beleza criada em graça os cobri. Em um Jardim perfeito os deixei onde permiti, com minha bênção multiplicar, férteis e puros, a terra preencher. Satanás, completa. Verdade sim, são semelhantes a ti, mas não iguais, o que injusto é.
A que referes, pai da mentira, do que exatamente me acusas. Quem és tu para me apontar a falta de justiça? Acaso sabes o que está em meu coração e podes penetrar em minha mente e saber teu futuro e os desígnios que tenho para o porvir, diz o Todo Poderoso. A sombra afirma, sim realmente isto não posso, mas vejo que tens algo que a eles não foi dado. Beleza, glória e honra como tu eles têm, mas eles não podem julgar isso bem, fizeste na verdade uma prisão com grades de ouro, mas não lhos deu escolha e liberdade verdadeira, nesta infância eterna os mantêm, disse a estrela opaca.
Eu também tenho um reino, não é como o Teu, mas aos meus olhos mais bonitos são, diz o príncipe das trevas. Criatura corrompida, não sabes julgar a beleza, louco és, como na dor, morte e sofrimento pode enxergar tino proveitoso desta tristeza? Argumenta, o Justo Juiz. Talvez eu não, mas eles, lá naquele pontinho do infinito vivendo a apenas a inocência forçada, poderiam algo ponderar sem nem com suas mentes podem o mal perceber, como então o bem julgar? Propõe o dragão, no interior do antigo serafim.
Não sei se tu podes algo aprender, mas a eles algo maior vou ensinar, uma escolha a eles vou dar. No fim, não só você Satanás verás, que os meus escolhidos, e pelo meu conhecer e julgar predestinado ao Amor, que não há força maior que de mim os possa separar. Ensinados e mesmo da dor, morte e sofrimento com a graça eis de lhe resgatar. Os olhos de justiça ardendo em fogo de Amor, de um Pai, que percebe a segurança do Filho, quando ameaçada está.
Um sorriso vil, no rosto odioso daquele ser que nada de bom pode-se esperar, Deus pôde observar. Este por fim com orgulho e soberba diz. Se acaso isto acontecer, até as chaves da minha sepultura, do Abismo e Sheol feliz ficarei em lhe dar. E não apenas eu, mas todos que a mim servem, glórias voluntárias e louvor vamos lhe prestar. Como certeza tenho que das seduções das Trevas, nenhum homem pode escapar, minhas palavras juro por mim mesmo que vou honrar, de forma execrável ponho-me nisso pactuar, e quando se este dia chegar, nunca mais de ti vou aproximar.
Queimando de ira, Deus fala que apenas tal não há de bastar, que o diabo tenha todo seu reino em fogo eterno a queimar e que nunca mais enquanto a eternidade durar, nem Dele ou de qualquer de seus filhos poderás aproximar. Por fim, o diabo diz, essa aposta vou aumentar, se comigo nela entrar caso homem se fizer, nem tu Deus dos deuses, poderás escapar. Concordo, na aposta entrar, Filho do Homem ei de me tornar, disse Deus. Não percebeste mais uma vez, mas antes daqui entrar, o proposto desde a eternidade feito e consumado por mim esteve e estará! Fim.”
- Rodrigo Lima