quarta-feira, 28 de julho de 2010

As duas formas de ver o mundo

"Há duas maneiras de se ver a vida: Uma é pensar que não existem milagres e a outra é acreditar que tudo é um milagre." - Um sábio cientista



Há muito mais chances das coisas serem diferentes do que elas são. Por exemplo, para eu ser eu, tive que passar num sorteio muito mais difícil do que ganhar na loteria, se o espermatozoide e o óvulo fossem outros, eu não seria eu. Agora pense em meus antepassados, e em seus gametas geradores, se você desconsiderar as outras possibilidades, só um milagre mesmo para EU SER EU. Afinal EU SOU é um milagre...

"Eu creio que em tudo há uma consciência. Até mesmo nas pedras... E não é por isso que vou conversar com elas... A consciência é um milagre em vários níveis! Como eu prefiro SER, creio que o EU SOU em tudo ESTÁ! EU SOU é o milagre!" - Rodrigo Lima

E quando falo no EU SOU, não me refiro apenas em Deus no Céu, mas no EU SOU que está dentro de mim... Pelo qual posso falar EU SOU!

Não creio em um Deus extrínseco ao Universo...

E muito menos num Deus que seja tudo...

Deus é o EU SOU e aí reside o mistério que muitos não compreendem...

Veja:

O Sagrado Nome do Eterno é Yod-Heh-Vav-Heh (YHWH), que, em hebraico, quer dizer EU SOU. O EU SOU é um VERBO. E É desta maneira que Ele se apresenta a Moisés. Deus é o Verbo Ser personificado, por isso o EU do EU SOU. Mas não veja o Verbo Ser como um ente gramatical morto, mas como ato puro. Em todos os outros verbos quem realiza a obra, a ação do verbo é o sujeito. Mas isso não acontece com o verbo ser. Por exemplo... Quando digo:

Eu como carne.

Quem realiza o ato de comer é o Eu, o sujeito.

Mas na frase:

Eu sou filho do homem.

O "eu" não faz nada... Ele não desempenha ação... Quem desempenha a ação é o próprio Verbo, pois não precisamos fazer nada para sermos... Simplesmente somos!
E neste ponto Deus, como o EU SOU cumpre cabalmente os três principais requisitos da divindade.

A onipotência, a onisciência e a onipresença. Pois tudo passa pelo VERBO SER, visto que se não É deixa de existir. Se há algo que pode, primeiro tem que SER. Se algo que conhece/sabe primeiro tem que SER senão não É, se algo que está então É logo passa pelo SER (Por isso que no inglês, e outras línguas, o mesmo VERBO usado para o ser também designa estar).

Deus não é tudo, mas está em tudo de modo dinâmico e intrínseco.

Mas você então pode falar... Então EU SOU DEUS!

E não vou negar que você o É, pois a Bíblia afirma isso:

João 10:

33 Responderam-lhe os judeus: Não é por nenhuma obra boa que vamos apedrejar-te, mas por blasfêmia; e porque, sendo tu homem, te fazes Deus.
34 Tornou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses?
35 Se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),
36 àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?

Deus não precisa da palavra, você e eu precisamos... Por isso é que ela foi dirigida a nós... Mas não pense que vou adorar a você como DEUS... Pois só há um que nos importa...

I Coríntios 8
6 - Pois, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também.

Pois Deus é revelado no Amor do Pai no Filho e na entrega do Filho ao Pai e sendo o este AMOR próprio Deus. Pois só a uma razão para SER, O AMOR.

Para entender mais, visite:




Quero dizer mais, pelas palavras do Caio Fábio:

EM DEUS TUDO FALA...
Deus criou porque não pensou somente em Si Mesmo, pois a criação é Deus pensando em outros; em todos os outros infinitamente possíveis...

Portanto, na criação temos múltiplas e infindas formas de expressão de Deus e de Sua Palavra/Verbo; visto que todas as coisas foram criadas pela Palavra de Deus; e, por tal razão expressam a Sua Palavra de modo pessoal e impessoal.

Hoje em dia estou a ponto de quase duvidar da impessoalidade de qualquer coisa que seja criatura na criação.

Faço o Caminho nesse sentido inverso ao de Sidarta; pois se o seu Nirvana era o Mar da Impessoalidade, para mim é o oposto; pois, sendo Deus amor, suspeito que de um modo que para mim tem que se estabelecer como negação do meu pensar como absoluto de modo de pensar; fazendo o mesmo eu com o homem, como se o que é raciocínio para o homem seja a única forma de raciocinar — fico, portanto, aprisionado pela ideia de que tudo tem sua própria fala e modo de ser em e para Deus; e não apenas como existência que existe sem existir como ente existente.

Assim é que na Escritura todo ser que respira louva o Senhor, tanto quanto todos os astros dos céus, todas as criaturas, de todas as dimensões; de lesmas gosmentas a anjos ricos em força, poder e majestade.

A Escritura diz que se Deus pensasse só em Si Mesmo, toda a existência se dissolveria.

Assim, se há existência [...] é porque há Deus pensando em todas as criaturas de todos mundos conhecidos e desconhecidos, visíveis e invisíveis.

Por isto se diz que a Sua Palavra se faz ouvir em toda a Terra e que é também percebida nos confins do mundo; posto que dia, noite, fala, sonho; sol e lua, luz e trevas; ventos procelosos e cicios suaves; bem como monstros marinhos e abismos todos; e toda sorte de existência impensáveis e alienígenas, como seres de quatro faces e oito asas, com feições humanas e animais ao mesmo tempo, e que são acompanhados por rodas que giram em si mesmas, mas que obedecem a um comando de natureza espiritual [conforme Ezequiel]; ou ainda, como se diz: com árvores aplaudindo, mares cantando, ribeiros louvando; com todos os pássaros em sinfonia; sim, com jumentos profetizando, pedras falando, e até homens e mulheres de vez em quando conseguindo expressar Deus, especialmente quando amam mais do que falam —; o fato é que Deus fala; e fala sempre; e nunca até hoje deixou de falar; de falar a todos os homens, em todos lugares; usando os meios e modos disponíveis; por vezes sonhos, outras vezes impressões, intuições; ou ainda mediante as estrelas e seus estranhos caminho que um dia levaram três homens até a uma manjedoura onde Deus mais uma vez pensava apenas nos outros.

Sim, Deus fala!

Fala quando é gostoso, mas fala mais ainda quando é amargo; fala muito no nascimento, mas muito mais profundamente na morte; fala na conquista, mas incomparavelmente fala Ele nas derrotas e perdas.

Eu, no entanto, não tenho como não ouvir a Sua Voz em tudo.

Cada dia mais ouço Sua Palavra em tudo e todas as coisas.

Vejo Luz onde antes eu só via trevas; vejo Trevas onde antes eu só via luz; e vejo que para Ele as trevas e a luz são a mesma coisa!

Hoje ouço Sua voz na Desgraça como Graça e na Graça como Amor.

Sim; hoje sei que tudo existe Nele com propósito e com carga de louvor; e que tudo o que existe fala Dele; sim, até quando parece ser uma Calamidade.


Digo isto porque não há criação sem caos; e nem há caos sem a entrega de Deus como Cordeiro para propiciar todas as possibilidades de ser Nele e para Ele; ainda que para o sentir finito e moral como o meu, por vezes o que Deus chame de “minha vontade”, “ou de minha entrega”, eu perceba ou chame de caos e de morte.

Nele, em Quem tal mergulho somente me enche de alegria e vida... Enfim... É isso!